Porto Alegre, 22 de setembro de 2017 .
 

Se a Vanessa fosse um bicho, e eu fosse Noé, talvez não a tivesse deixado embarcar na arca. Nas duas conversas que tivemos antes de ela se matricular, tive a impressão de que ela abandonaria o curso logo no começo. Era um caso diferente da Aninha, aquela que não gostava de estudar. Tratava-se de alguém que afirmava não ver resultados positivos, apesar de estudar bastante. Garantiu-me que era “burrinha”. Acabei deixando outras duas pessoas ocuparem vagas antes da Vanessa, que havia chegado primeiro. Na nossa terceira conversa, perguntei-lhe simplesmente se estava disposta a seguir a minha orientação e cumprir as exigências semanais de tema. Ela disse que sim. O curso começou em maio de 2001 e as dificuldades foram aparecendo. Não eram tantas quantas ela afirmava. Havia um pouco de desorganização e algumas coisas feitas na última hora. Mas nada de anormal. Nos últimos dois meses de aula, ela estabeleceu um recorde entre os alunos do Dominó: gabaritou o tema durante 8 semanas seguidas. E não era um teminha de 10 questões. O total semanal de testes variava de 30 a 60. Fiquei absolutamente tranqüilo quanto à aprovação dela, embora não soubesse como ela estava indo nas demais matérias. Mas era óbvio que um esforço contínuo e disciplinado em História deveria estar sendo acompanhado de crescimento nas outras áreas. Passou na Medicina da PUC. Um pouco mais de Geografia e Literatura e ela teria chegado à UFRGS também. Já preveni a Vanessa quanto a ficar dizendo para os seus professores que é “burrinha”. É possível que algum deles já tenha percebido o seu potencial e esteja disposto a fazer um convite para ser monitora ou lhe ofereça uma bolsa de pesquisa. Meu conselho foi simples: cuidado para não ficar fora da Arca. (2001).

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